Resenha livro: "Mentiram para mim sobre o desarmamento" de Flavio Quintela e Bene Barbosa

Como mencionei no post anterior, diante do alarmante cenário brasileiro desse início de ano, e nem me refiro à política, mas à violência, principalmente nos presídios e no estado do Espírito Santo. Resolvi ler o provocante “Mentiram para mim sobre o desarmamento”, publicado em 2015 pela Vide Editorial.

O livro foi escrito pelos autores Flavio Quintela formado em Engenharia Elétrica, autor de “Mentiram (e muito) para mim”; e Bene Barbosa bacharel em Direito, especialista em segurança pública e fundador do Movimento Viva Brasil. E tem uma proposta bem definida, desmascarar o movimento desarmamentista brasileiro, promovido há décadas, mas só consolidado em 2003, pelo chamado Estatuto do Desarmamento lei nº 10.826/2003.

Para os autores o desarmamento civil é uma das grandes estratégias dos governos mundiais de controle social. Essa é a ideia central: por trás do desarmamento civil está a busca do Governo brasileiro (desde o FHC) pelo controle da população. Todos os capítulos – que tratam de diversos assuntos correlacionados com o desarmamento – estão voltados para esse eixo.

Os autores não só foram felizes na escolha do título instigante, como na estruturação de toda a obra. Cada capítulo se propõe a refutar um argumento desarmamentista, desmontando uma a uma as grandes mentiras propagadas principalmente pela mídia: 

“O governo quer desarmar as pessoas porque se preocupa com elas.”

“Países desarmados são mais seguros.”

“O desarmamento tem diminuído a criminalidade no Brasil.” (etc.)

O livro conta com várias referências históricas – como um breve resumo do confronto entre o  governo Getúlio Vargas contra os coronéis e cangaceiros, que achei bem interessante – e de pesquisas estatísticas de dados referentes ao Brasil e outros países; não apelando assim para achismos¹, sendo esse um ponto forte do livro. Um assunto sério precisa ser tratado “de uma forma séria”. A revisão do texto está ótima também.

Como comentei lá no skoob (me adiciona lá), esse é um livro que todo brasileiro deveria ler. Independente da opinião do leitor, a favor ou contra o desarmamento (eu sou contra). A leitura serve de alerta para o aumento constante da violência no país (tão crítica em 2017…), que não parece estar preocupando de fato os governantes. Em outras palavras a violência tolerada (não combatida) retrata como os últimos governos não têm tido nenhum respeito ou consideração pelo povo.

Quanto mais totalitário é um governo, maiores são as restrições ao armamento da população civil. Os regimes mais sanguinários da história foram também os mais eficientes em desarmar as pessoas, pois um povo desarmado é um povo incapaz de reagir contra um governo armado. Lembre-se: quem tem a força bélica tem o poder de impor sua vontade. Desarmamento é sinônimo de controle social; quem disser o contrário é ingênuo ou mal intencionado.

¹ “achismos” – essa palavra não existe no dicionário, mas é uma expressão que quer dizer quando uma pessoa baseia um argumento em coisas que “ela acha” mas não pode provar ou não tem certeza.

* texto editado em 16/02/2018


+ Info: Mentiram para mim sobre o desarmamento, de Flavio Quintela e Bene Barbosa | São Paulo: Vide Editorial, 2015 | 174 páginas

Classificação: 5


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