O ponto de partida

“Gastei um dia inteiro entregue aos pensamentos de liberdade. Não tinha lugar nenhum como ponto de chegada, apenas tinha aquele quarto como ponto de partida. Mas o ponto de partida era em si um ponto, um juiz que me condenava. Sairia, solto. Iria ao mundo, perdido.”

“E era essa a colisão inesperada: fizesse ou não fizesse, sofreria. Mas apenas uma das opções não havia o remorso. E o remorso é enlouquecedor.”

“… a atitude de enveredar pelo caminho pedregoso consciente das pedras. Ou acontecia, ou acontecia.”

Ah como gostamos de imaginar lugares, posições, patamares a alcançar. Ficamos sonhando com a pessoa que gostaríamos de ser, com aquilo que gostaríamos de fazer… de ter. Ah como somos enganados pelos nossos próprios corações. Pois, basta a mente fazer um movimento e distanciar-se por um instante do objetivo almejado, começar a visualizar a trajetória que tem que ser feita, ou melhor, qual o primeiro passo a ser dado para que se saia de onde está e se chegue onde quer. Basta somente isso, e sentimos-nos cansados. Veja bem, agora não é a melhor hora para pensar nisso. Balançamos a cabeça para que se vá logo aquelas imagens que nos ameaçam torturar, pegamos o celular e rolamos o feed admirados com o que há de novo para se ver.

Ah como adoramos os pontos de chegada, alguns os chamam de sonhos, mas ignoramos os pontos de partida. Sim, porque há sempre um ponto de partida. Nem que seja um quarto sujo, bagunçado, inabitável, como aquele descrito na obra de ficção de Maiky Silva, “Risco Escuro na Claridade”. Qual é o seu ponto de partida hoje, não ignore-o. A visão clara deste, é tudo para a decisão de ficar e continuar a viver o mesmo, ou de ir e enfrentar o que quer que seja. Assim que nitidamente se souber onde está, será fácil determinar se sentirá falta disso ou remorso depois por não ter deixado quando se pode. Onde você está?

E quer saber… Não gosto muito de chamar meu ponto de chegada de sonho. Essa coisa de sonho, eu já tive, não tenho mais, porque a trajetória dos sonhos é sempre flutuar. E deixar esse ponto de partida, significa justamente o contrário, significa pôr os pés no chão. No chão pedregoso. Andar sob as pedras e não achar estranho que elas estejam lá.

Pois pode apostar, de um jeito ou de outro se aprenderá isso. Independente de qualquer ideia louca de nossos corações enganosos, o caminho entre o ponto de partida e o ponto de chegada é pedregoso. E não poderia ser de outra forma, não nesta vida.

KELLY OLIVEIRA BA.

4 Comments

  1. Para além de expressares que necessitamos nos movimentar, seja qual for o piso que os nossos pés calcarão, ainda aguças a vontade de parar para rever a nossa caminhada.
    Excelente texto. Sem dúvida, és uma pensadora nata!

    Curtido por 1 pessoa

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