Um novo significado

As memórias devem ser preservadas, ainda que dolorosas. Não o digo sem piedade ou com desprezo da jornada de cada pessoa, mas porque existe beleza na transformação da qual elas podem ser alvo. Se eu dissesse que Deus não deseja que as tuas memórias sejam apagadas – mesmo que sejam as piores de todas – acharias que estava a ser um Deus injusto? Pois é… eu própria ainda tenho uma visão muito fatalista da vida. Deste modo, o meu objectivo não é que se sintam mal, mas que me acompanhem no que aprendi há algumas semanas atrás.

Estamos dentro de uma realidade absoluta, todos a vemos e vivemos. Contudo, não temos percepção da sua totalidade, de modo que ficamos limitados às nossas pressuposições e crenças (muitas delas falsas!).  Acabamos assim por lhe dar outra noção irreal à que fora preparada e criada para nós. A realidade de que fazemos parte e somos essenciais nela. Porém, a nossa limitação não deve ser sinônimo de humilhação. Ou seja, torna-nos mais conscientes e não medíocres.

E, na maioria das vezes, o ser humano acaba por transferir todas as suas acções com base nas experiências e memórias que carrega consigo. Não sabendo fazer a distinção do que é passado e do que é presente. Muralhas protectoras são erguidas (inconscientemente) para que não se repita o que lá atrás o magoou. Então, é exactamente daqui que temos que fugir: do conformismo e da vitimização.

A nossa cosmovisão da realidade precisa ser transformada, e só há uma forma de o fazer: levar até ao Criador da realidade absoluta todas as nossas memórias, todas as pressuposições e crenças. Devemos deixar-nos ser guiados pelo Santo Espírito para que haja em nós a renovação da mente. Precisamos seguir em frente, precisamos deixar que o Criador traga um novo significado às nossas memórias. Que seja um ponto de partida para que não nos prendamos a uma visão tão fatalista de quem Deus é.

Em suma, vai depender muito da nossa postura em lidar com as nossas memórias. Deus nunca irá apagar ou curar as nossas memórias, mas está completamente disposto em lhes dar um novo significado! No fundo, não as queremos apresentar a Deus com medo que nos sejam tiradas todas as falsas seguranças que criamos para nós mesmos. Como nos custa, não é? Mas, se não o fizermos a nossa cosmovisão não será transformada e não teremos a chance de viver a vida tal e qual como Deus a vê. E é tão mais divertido ver do ponto de vista de Deus…

ANA MARGARIDA.

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