EU LI: Dois Rios, de T. Greenwood

Redenção?

Li esse livro sob total influência da indicação de um amigo blogueiro que gosto muito – conheça o Hiattos. É por isso que mantenho esse espaço, além da necessidade sempre crescente de escrever, é minha maneira de contribuir com esse nicho da internet que propaga a leitura. Blogs, instagram, YouTube… é nesses espaços que diariamente descobrimos novos livros, autores, gêneros etc.

Primeira coisa sobre Dois Rios: é uma leitura de entretenimento. Apesar de tocar em alguns assuntos sérios, não é uma leitura profunda ou que vai fazer grande diferença na vida de alguém. O que de forma alguma o torna menor, pelo contrário, é um ótimo livro como o é, muitos filmes de sessão da tarde quando tudo o que queremos é ficar sentados no sofá enrolados numa coberta, de olho na TV e comendo alguma coisa sem dispensar muita energia pensando em coisas difíceis.

Sobre a história. Acontece um acidente de trem numa cidadezinha. O trem descarrilha dos trilhos sob um rio e várias pessoas morrem. Nosso protagonista e narrador, Harper Montgomery, corre para o local tentando prestar alguma ajuda aos sobreviventes e ali se encontra com Maggie, uma adolescente negra de 15 anos grávida que relata ter acabado de perder sua mãe no acidente e estar agora sozinha no mundo.

Maggie vai parar na casa de Harper, onde ele só vive com sua filha Shelly de 12 anos.

Paralelo a isso, que é a narrativa do presente (1980). Harper começa a recordar de como conheceu sua esposa falecida a exatamente também 12 anos, Betsy, outra camada do livro; e temos também alguns trechos narrados em terceira pessoa referente ao outono de 1968, quando acontece um assassinato.

Além dos temas gerais: racismo (que foi retratado de forma excepcional, sem vitimismo), gravidez na adolescência, descoberta do amor, amadurecimento e outros. O foco ou assunto central, me parece que é a redenção do personagem principal. O perdão, uma nova chance… tudo o que qualquer pessoa que cometeu um grande erro na vida deseja (todos nós em algum grau). E a autora traça esse caminho, um caminho de redenção para seu personagem ou para alguns personagens ao longo da história. Só que, na minha opinião, não houve redenção nenhuma no livro.

Não houve reparação alguma dos erros. Não houve remissão. Não houve libertação alguma. Ainda com todos os acontecimentos do fim do livro, o passado continuou no mesmo lugar, não foi e não poderia ser apagado. Na vida real também é assim.

O único que pode libertar uma pessoa de um passado como aquele é Deus, que foi propositalmente em vários trechos negado, excluído da vida dos personagens e até levemente zombado. Para mim tudo isso me pareceu irônico e me fez refletir sobre as tentativas tristes de um mundo que tenta se salvar sem Deus, sem Cristo, sem cruz, sem ressurreição.

Entretanto, e por fim, gostei muito da escrita, da forma de narrar da autora: simples e bonita. A leitura é fluída e rápida, já que se termina cada capítulo desesperado em curiosidade pelo próximo. Os personagens são bem desenvolvidos. E o desenrolar da história não deixa a desejar: acontecimentos incríveis, reviravoltas, reflexões e principalmente, um final onde tudo fecha redondinho.

Outro livro da autora com tradução no Brasil é “Um Mundo Brilhante”

KELLY OLIVEIRA BA.


+info: Título: Dois Rios | Título original: Two Rivers | Autora: T. Greenwood | Tradutor: Rafael Gustavo Spigel | Publicado originalmente em 2009 | Edição lida: Novo Conceito, 2013 | 448 páginas

Classificação: 5/5

Compre: Amazon 

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