Resenha livro: Chiquinho, quinta-feira de Liliana Lacocca

Meu pai é alto e magro e se chama Chico. Meu avô é baixo e gordo e se chama Francisco. Eu me chamo Chiquinho e ainda não sei como sou.

Quando estava planejando esse especial do mês da criança, eu resolvi visitar a ala infantil da Biblioteca Pública de Minas Gerais Luiz de Bessa ou a “Biblioteca da Praça da Liberdade” como é mais conhecida por aqui. Eu já tinha em mente escrever sobre livros infanto-juvenis que tinha lido até recentemente, livros conhecidos, mas pensei que seria uma experiência boa fazer algumas leituras inusitadas durante o mês.

Chiquinho, quinta-feira foi um dos que me chamou atenção na prateleira da biblioteca. Se trata da primeira obra publicada da autora Liliana Lacocca, em 1985. Liliana, nasceu em 1947 em São Paulo, uma brasileira de descendência italiana, que se casou justamente com um italiano, o ilustrador Michele Lacocca – que inclusive ilustrou essa edição da SM.

É um livro bem infantil, escrito em primeira pessoa, indicado para crianças a partir de 8/9 anos. E aqui, cabe dizer que quando leio qualquer livro infanto-juvenil procuro fazer duas coisas:

1. Imaginar o que a Kelly criança ou adolescente acharia daquela história, daquele livro… Se ela iria gostar, se ela iria abandonar – lembrando que eu sou uma leitora desde criança, então esse exercício não é tão difícil.

2. Conferir se aquele é um livro que faz a criança pensar ou entrega tudo pronto e fácil, sem requerer imaginação e inteligência, o que para mim é um ponto extremamente negativo.

Colocado isso. Gostei bastante da ideia de “Chiquinho, quinta-feira”, que nada mais é do que a história de um menino comum bem entediado com o fato de ter de passar um domingo em casa.

É aquele dia em que, se minha mãe e meu pai não programaram nenhum passeio, a gente fica trancado dentro de casa, andando de um lado para o outro, não fazendo nada e se cansando de não fazer nada.

Pensei em como qualquer criança – ao menos brasileira – lendo essas páginas, se identificaria facilmente com a situação apresentada e se apegaria ao personagem. E que a partir daí, se divertiria com a imaginação fértil do mesmo. Não só no início, mas em todo o desenvolvimento do livro, a autora conseguiu fazer com sucesso o que citei: por a criança para pensar, imaginar, ser um leitor ativo.

Gostei também do tom bem humorado, divertido do livro – eu ri alto em pelo menos um momento -; e da proposta da autora de semear aqui ou ali algumas reflexões simples mas importantes e até para crianças, como na página 72:

Achei a ideia interessante, mas acabei desistindo. Imaginei que cada uma dessas coisas tinha uma opinião diferente das outras a respeito do menino.
Umas tinham sido mais bem tratadas; outras, nem tanto. Umas tinham recebido muita atenção; outras, nenhuma. Enfim, umas diriam que ele é legal; outras, mais ou menos; outras, ainda, vai saber…”

Enfim, esse livrinho é uma delícia de ler, muito divertido. As ilustrações são bem legais também. Indico demais para os pequenos.

KELLY OLIVEIRA BA.


+info: CHIQUINHO, QUINTA-FEIRA | Autora: Liliana Lacocca (1947-2004), Brasil | Publicado originalmente em 1985 | Ilustração: Michele Lacocca | Editora Edições SM, 2004| 100 páginas

Classificação: 4 | Compre: Amazon | Skoob: adicione

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