Os órfãos

Nesse mês do Especial da Criança, dedicado aqui no blog à literatura infanto-juvenil, houve algo comum em todas as obras resenhadas aqui no blog com exceção de uma. Heidi, Sophie, Peter Pan e Mary são todas crianças órfãs, todas personagens infantis sozinhas nos mundos criados por seus autores.

De fato a literatura nesse gênero explora bastante a temática dos órfãos e certamente eu poderia citar ainda outros tantos personagens e obras – se você lembrou de alguma deixe nos comentários 😉 Mas meu objetivo aqui é transportar-nos por um momento para fora dos livros e lembrar que no mundo real infelizmente há muitas Heidi´s, Sophie´s, Marias, Joãos, Pedros, Alines… No mundo real caído e triste como ele é, a questão dos órfãos hoje é muito séria e urgente.

Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) [1], em 2018 o Brasil tinha 8,7 mil crianças à espera de uma família. É um número alarmante, com o agravo que grande parte dessas crianças e adolescentes é composta por grupos de irmãos e por menores com algum tipo de deficiência.

Onde estão essas crianças?

Os “orfanatos, internatos, reformatórios…” como eram conhecidas as antigas instituições que acolhiam as crianças e adolescentes em tal situação já não existem no Brasil desde 1990 [2], data da promulgação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que redesenhou as regras de acolhimento dos órfãos. O que existem hoje são as seguintes modalidades de acolhimento: casas lares, abrigos institucionais e famílias acolhedoras (Saiba mais aqui). Nesses lugares moram crianças abandonadas pelas famílias, ou filhas de pais mortos, ou mesmo como cresce o número a cada dia: retiradas pela Justiça das famílias por serem vítimas de espancamentos, maus tratos ou abuso sexual. Muitas são liberadas para a adoção como citado acima, mas muitas outras ficam nesses lugares até terem a sua situação judicial resolvida e serem liberadas para voltar para casa de alguém do vínculo familiar.

Essas e outras informações sobre o assunto são importantes no sentido que tomar ciência dessa realidade faz-nos também responsáveis como cristãos ou como membros da sociedade ou como seres humanos mesmo, também por essas crianças.

É comum as pessoas pensarem que a única maneira de ajudar essa causa é adotando uma ou mais crianças. Esse é o pensamento mais comum e também o que mais afasta as pessoas da questão “Se eu não posso adotar não é problema meu”. Mas a adoção apesar de ser uma ação nobre e muito importante não é a única maneira de amparar, cuidar, ajudar, envolver-se com essas crianças.

Se você mora numa cidade grande ou perto de uma, é certo que deve haver um “lar” ou “abrigo” há alguns km de você. É aqui que todos podem ajudar. Você já visitou um abrigo de crianças órfãs? Já procurou saber da necessidade delas? Há muitas coisas materiais que podem ser doadas a esses lugares (produtos de higiene pessoal, roupas, brinquedos, livros, cadernos, lápis de cor etc.) Mas podemos doar também o nosso tempo e atenção tão preciosa para elas. E é claro, podemos também nos comprometer com a causa lembrando e orando por elas continuamente.

Espero que nesse Especial eu tenha conseguido chamar sua atenção para os órfãos da literatura, e por fim com esse texto, para a causa dos órfãos do mundo real. Falo de uma realidade que pessoalmente tenho estado perto e posso dizer: há muito que pode ser feito se mais gente se envolver.

Referências:
[1] http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-05/brasil-tem-87-mil-criancas-espera-de-uma-familia-diz-cnj
[2] https://www.fazendohistoria.org.br/blog-geral/2017/4/25/orfanatos-no-existem-ento-onde-moram-ento-as-crianas-abandonadas
Imagem cabeçalho: Thomas Benjamin Kennington (1856-1916), “Orphans (1885)”

KELLY OLIVEIRA BA
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