Resumo livro: Onde está Deus quando chega a dor? (introdução + cap.1)

“Onde está Deus quando chega a dor?” foi o primeiro livro publicado pelo jornalista americano Philip Yancey, em 1977. O mesmo foi ampliado e atualizado pelo autor, ganhando uma nova edição em 1990.

O livro é dividido em 5 partes e tem por tema central o problema do sofrimento. Esse é o primeiro post de uma série, que formarão um resumo comentado da obra.

Importante: o conteúdo compartilhado aqui é fruto das minhas impressões pessoais de leitura. Um resumo das ideias do autor, não refletindo necessariamente minhas próprias opiniões sobre os temas abordados.

A QUESTÃO

Segundo Yancey, os livros sobre a questão da dor e do sofrimento humano é dividido em dois grupos: Os autores antigos – Tomás de Aquino, John Bunyan, Martinho Lutero, João Calvino e Agostinho. Os quais aceitavam prontamente a dor e o sofrimento como agentes benéficos de Deus.

  • não questionavam a Deus
  • tentavam justificar os desígnios de Deus para o homem

O segundo grupo, são: os autores modernos. Os que entendem que o mal e o sofrimento no mundo são tão grandes que não se encaixam na visão tradicional de um Deus bom e amoroso.

  • Deus é colocado na “cadeira dos reús”
  • eles são revoltados e indignados
  • questionam o poder de Deus contra o mal
  • redefinem  o amor de Deus

Todavia, segundo o autor, a maioria dos livros sobre a dor e o sofrimento são irrelevantes para quem sofre, pois o problema da dor não é teórico para quem sofre, ou mesmo, um jogo de palavras teológico. O problema da dor é uma questão de relacionamento. Muita gente que sofre ama e quer amar a Deus, mas não consegue parar de chorar e de questionar o porquê daquilo.

Qual deve ser a resposta da igreja para essas pessoas? Segundo o autor, infelizmente, a resposta da igreja em geral, traz mais confusão do que conforto.

PRIMEIRA PARTE – POR QUE A DOR EXISTE?

Um problema que permanece

Claudia Claxton tem pouco mais de 20 anos. Casou-se com John Claxton depois de dois anos alegres de noivado. De repente o casal enfrenta um grande problema: Claudia tinha desenvolvido a doença de Hodgkin, câncer das glândulas linfáticas, e os médicos diziam que sua chance de vida era de apenas 50%.

Em uma semana, o cirurgiões fizeram um corte em seu corpo desde a axila até o abdome e removeram todo e qualquer traço visível da doença. Fraca e aturdida, ela jazia numa cama de hospital.

John e Claudia eram cristãos que amavam a Deus, porém em desespero clamavam: “Ó Deus, por que nós?” “Deste-nos, só para nos provocar, apenas um curto ano de casamento feliz preparando-nos para esta dor?”

O tratamento com cobalto arruinou o organismo de Claudia. Ela perdeu a beleza quase da noite para o dia. Sentia-se constantemente cansada, sua pele tornou-se escura, o cabelo começou a cair, a garganta estava sempre inflamada e ferida. Vomitava quase tudo o que comia. Os médicos precisaram suspender o tratamento por algum tempo, pois a garganta havia inflamado de tal maneira que ela não conseguia engolir.

Cada dose de radiação fazia seu corpo envelhecer meses. Deitada naquela fria sala revestida de aço, Claudia pensava em Deus e na dor que sentia.

Visitas a Claudia

No princípio, Claudia esperava consolo e conforto de seus amigos cristãos. Suas visitas, porém, tornaram-se desconcertantes, não consoladoras.

  • Um diácono da igreja, aconselhou-a solenemente a refletir sobre o que Deus estava procurando ensinar-lhe.
  • Uma senhora da igreja que mal conhecia, trouxe flores, cantou hinos batendo palmas e recitou alegres salmos sobre lindos riachos e montanhas. Sempre que Claudia tentava falar de sua doença mudava de assunto.
  • Outra mulher, irradiando confiança assegurou a Claudia que a única solução era buscar cura divina. Ela disse: “A doença jamais é da vontade de Deus! É o que a Bíblia diz..”
  • Outra senhora talvez mais “espiritual” da igreja de Claudia, trouxe alguns livros sobre louvar a Deus por tudo o que acontece. Ela disse: “Claudia, você precisa chegar ao ponto de dizer: Deus, eu te amo por me fazeres sofrer desta maneira. É a tua vontade. Tu sabes o que é melhor para mim…”
  • O pastor de sua igreja, fez com que ela sentisse que estava cumprindo uma missão. Ele disse: “Você, Claudia, tem o privilégio de sofrer por Cristo, e ele a recompensará. Deus a escolheu por causa de sua grande força e integridade, assim como escolheu Jó. Ele a está usando como exemplo…”

Yancey também foi visitar Claudia. Ele diz que a encontrou desesperadamente confusa com todas essas palavras contraditórias. Ela lhe contou sobre todos os conselhos que havia recebido e todas as indagações que ficaram passando em sua mente:

Que lição deveria aprender?
Como ter mais fé?
A quem deveria ouvir?

Sobre essa visita ele escreveu:

Tive poucos conselhos a dar a Claudia naquele dia. Na verdade, saí com mais perguntas ainda. Por que Claudia lastimava numa cama de hospital, enquanto eu estava de pé, saudável, a seu lado? Algo dentro de mim se perturbava ao ouvi-la repetir os prontos comentários de seus visitantes. O cristianismo deveria fazer quem sofre sentir-se ainda pior? (p.18 – grifo meu)

Afinal, que resposta poderemos dar quando surgir o sofrimento e também como falar aos que sofrem?

Para Yancey, nenhuma outra experiência humana provoca resposta tão urgente como a dor e o sofrimento. É por isso que o “o problema do sofrimento” representa um tão profundo mistério e existe tantas abordagens tentando uma resposta.

Falando mais especificamente dos norte-americanos, ele citou a observação do pastor teólogo alemão Helmut Thielicke quando indagado sobre qual seria o maior defeito entre os cristãos norte americanos. Ele respondeu: “Eles têm uma visão inadequada a respeito do sofrimento”.

Continua…


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