Resumo livro: Onde está Deus quando chega a dor? (cap. 2 e 3)

Qualquer um que se proponha a pensar sobre o problema da dor deve antes ter bem claro em sua mente o que é e como funciona o sistema da dor física no corpo humano.

Antes de prosseguir é recomendável a leitura do post 1 desse resumo.

PRIMEIRA PARTE – PORQUE A DOR EXISTE?

A dádiva indesejável

Para tratar do sistema da dor, Yancey resume as conclusões do médico Paul Brand registradas no seu livro de memórias “A Dádiva da Dor”. O Dr. Paul Brand juntamente com sua esposa, dedicou muitos anos de sua vida no atendimento de pacientes com lepra (chamada hanseníase no Brasil). Ele foi o primeiro médico a descobrir que a lepra não causa apodrecimento dos tecidos da pele, mas sim a perda da percepção da dor, tornando os portadores da doença extremamente sensíveis a lesões.

As descobertas de Brand através de sua pesquisa e experiência com esses pacientes são incríveis! Apesar da dor ser sempre qualificada como “desagradável”, “indesejável”; a dor revela um projeto maravilhoso que serve ao nosso corpo muito bem. Pode-se argumentar que a dor é tão essencial ao funcionamento normal da vida como o sentido da visão ou até mesmo a boa circulação do sangue, se não houvesse dor, nossa vida estaria cheia de perigo e privada de usufruir muitos prazeres básicos.

Mas é preciso doer?

A dor foi projetada para a nossa sobrevivência nesse mundo. A dor é uma dádiva! Brand sem hesitação declara: “Sejamos agradecidos a Deus por ter inventado a dor. Ele não poderia ter feito coisa melhor. É algo maravilhoso!” Sem dúvida uma afirmação estranha à princípio, mas recomendo muito a leitura não só dos capítulos 2 a 4 do livro que estamos tratando, como a leitura do livro “A Dádiva da Dor” para o melhor entendimento do que ele está dizendo aqui, é uma obra imperdível! Deixo só mais uma palhinha: “Por definição, a dor é desagradável o suficiente para forçar-nos a retirar os dedos de um fogão quente. Mas é justamente essa característica que nos livra da destruição. Se não fosse um sinal de alerta que exigisse pronta atenção, não prestaríamos a devida atenção.”

O inferno indolor

Yancey confessa que apesar de ter aprendido muito sobre a estrutura do sistema da dor com o dr. Paul Brand, e até começar a enxergá-la como uma “dádiva”, o mero “conhecimento” não era suficiente para superar sua instintiva resistência a dor. Até que ele foi passar uns dias no leprosário de Louisiana para acompanhar de perto o trabalho do dr. Brand. Ele presenciou cenas como essa:

Certa ocasião, o dr. Brand foi buscar alguns suprimentos num pequeno depósito atrás do hospital. Tentou abrir a porta, mas o cadeado enferrujado não cedia. Bem naquele momento, um de seus pacientes, um garoto de 10 anos, desnutrido e raquítico, aproximou-se dele…
– Deixe-me tentar, doutor – disse o menino segurando a chave. Com um contração rápida da mão, virou a chave na fechadura. Brand ficou atônito. Como pôde esse garoto, com metade de seu tamanho, exercer tamanha força?
Seus olhos logo vislumbraram a resposta. Não era sangue aquilo no chão?
Depois de examinar o dedo indicador do menino, Brand descobriu que o fato de dar a volta na chave tinha aberto uma ferida profunda no dedo, a ponto de ficarem expostas a pele, gordura e articulação. O garoto, porém, nada tinha percebido! Para ele, a sensação de cortar o próprio dedo era a mesma de apanhar uma pedra ou de revirar uma moeda no bolso. (p.33,34)

Ao contrário da maioria das pessoas que sofrem por sentir dor, os pacientes leprosos sofriam pelo simples motivo de ter um sistema defeituoso de dor.

A dor não é algo desagradável a ser evitado a todo custo. De milhares de formas, pequena ou grande, a dor nos serve todos os dias, tornando possível a vida nesse planeta. Se formos saudáveis, as células da dor nos alertarão quando tivermos de ir ao banheiro, de trocar os sapatos, de afrouxar a pressão sobre um cabo de uma vassoura ou de piscar. Sem a dor, levaríamos vidas paranoicas, indefesas contra perigos não sentidos. “A única maneira segura de viver para uma pessoa incapaz de sentir dor é ficar na cama o dia todo, mas até isso produz feridas. ” (p. 41)

Continua…


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2 comentários em “Resumo livro: Onde está Deus quando chega a dor? (cap. 2 e 3)

  1. Eu nunca tinha pensado nisso, mas quando li seu texto, especialmente a parte do Inferno Indolor, comecei a pensar quantas pessoas, principalmente nos nossos dias, recorrem ao excesso de álcool, drogas, sexo etc. para preencherem um vazio e conseguirem abafar a dor emocional/ psicológica que sentem, e o quanto isso prejudica suas próprias vidas. Na tentativa de diminuir a dor, às vezes optamos por esse Inferno indolor, que é muito mais perigoso. Sei lá, me veio isso na cabeça agora…

    Curtido por 1 pessoa

    1. Olá Carolina! Estudar sobre o problema do sofrimento e o problema da dor tem mudado muito a minha perspectiva sobre a vida de uma maneira geral, permita-me compartilhar um pouco que está relacionado com o que você disse:

      Como eu comecei o texto, entender sobre como funciona o sistema da dor física projetado, sim!, projetado por Deus, nos ajuda muito a entender também as dores emocionais.

      Como a dor que sentimos ao encostar numa panela quente nos faz reagir imediatamente tirando a mão, as dores emocionais também geram reações e deve ser assim. Tristeza, desânimo, frustração, decepção… fazem parte da vida. Abafar essas dores com drogas, álcool, remédios (salvo casos específicos e receitados por médicos), como você disse, é muito perigoso!

      Muitas vezes são as dores emocionais que nos fazem renunciar algo, tentar de novo, mudar de rota, aprender, voltar atrás, se arrepender, ser mais empático… Quando simplesmente abafamos a dor deixamos também de reagir a ela.

      E aprender isso, na teoria e prática, é mesmo muito transformador.

      Uma coisa que sempre penso sobre a dor e o sofrimento, é que o Filho de Deus desceu do seu trono à essa terra e sofreu! Sentiu também muitas dores… “homem de dores”… isso não responde muitas das minhas questões mas me conforta.

      Um abs, obrigada por comentar ^^

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