Resenha livro: Emma, de Jane Austen

Jane Austen é uma das minhas autoras favoritas. Entre outras leituras, nesse período difícil de pandemia, achei que não haveria uma escolha melhor para me distrair um pouco. Decidi então que era a vez de Emma.

Emma foi publicado em 1815, já nos últimos anos de vida da autora inglesa que morreu jovem, aos 41 anos. Se trata de uma comédia de costumes, assim como todas as obras de Jane Austen. O título é o nome da protagonista, Emma Woodhouse, uma personagem complexa, que a própria autora disse ser uma heroína que ninguém além dela própria iria gostar. E de fato, a moça bonita, inteligente e rica; desperta tanto afeto como desafeto no leitor ao longo do romance.

O enredo é bem envolvente, avança-se fácil na leitura. Sem entrar em muitos detalhes, o cenário é o vilarejo fictício de Highbury, dito ser perto de Londres, e a história gira em volta das trapalhadas de Emma, que pensa conhecer todos os sentimentos e intenções das pessoas à sua volta. Ela julga, supõe, imagina coisas sobre a vida das pessoas… e tem tudo isso como verdade absoluta. Sabendo tudo sobre todos e não sabendo nada sobre si mesma. Conhecendo o coração dos outros e ignorando completamente o seu próprio coração.  

Apesar da crítica à sociedade inglesa está presente como sempre, em Emma, Jane Austen me pareceu explorar bem mais a natureza humana e portanto, seus próprios personagens de uma forma bastante realista. É incrível como mesmo trabalhando com diversos personagens estes são muito bem definidos em suas personalidades. Chamou-me atenção principalmente a própria Emma, que como já mencionado é uma personagem muito complexa, mas também por isso muito humana. Não é difícil se identificar com ela, pois ela se precipita, se engana, erra, sofre, ama… e muito importante, se arrepende, volta atrás, tenta ajeitar as coisas etc., como qualquer ser humano. É uma personagem que amadurece ao longo do livro de forma muito perceptível tornando-a facilmente inesquecível e um bom exemplo – do que fazer e do que não fazer em certas situações dramáticas e cômicas que são mesmo… universais debaixo do sol.

Destaco também, Jane Fairfax, uma personagem interessante em que a autora retrata entre outras coisas a questão da natureza reservada. Nunca tinha visto na literatura a pessoa reservada – aquela que não gosta de falar da própria vida e nem da vida dos outros, aquela que não se consegue entrar na intimidade facilmente, aquela que parece sempre desconfiada, aquela que parece sempre guardar um segredo, aquela de poucos amigos… -, a questão da pessoa reservada ser explorada diretamente e tão bem. E, Miss Bates, responsável pelos diálogos mais chatos do livro, mas que apesar disso, a autora consegue despertar a empatia do leitor, fazendo-o em certo momento sentir fortemente a injustiça sofrida por ela.

Realmente Emma foi uma ótima escolha para esse momento. A leitura me envolveu da primeira à última página. É uma obra bem mais elaborada do que as outras que já li da autora, mostrando a sua admirável habilidade para escrever numa época tão difícil para as mulheres serem levadas a sério como escritoras.


+INFO
Título: EMMA | Autora: Jane Austen (1775-1817) | Publicado originalmente em: 1815 | Editora: Landmark, 2010 | Páginas: 512

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Minha Avaliação: 5/5

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2 Comments

  1. Oi Kelly,
    Nunca li Jane Austen, confesso não ter morrido de vontade de ler esse livro, sei lá… a autora não me desperta muito interesse. Quando você falou sobre personagens reservados eu lembrei do Clay, de O Construtor de Pontes, é um livro que gostei pra caramba

    Curtido por 1 pessoa

    Responder

    1. Oi Rudi!
      Eu tenho uma forte impressão que os livros da Jane Austen deve agradar mais as mulheres mesmo. Apesar que, considero o clássico “Orgulho e Preconceito” um dos livros importantes da literatura mundial. Inclusive já vi o mesmo e também “Emma” em algumas listas dos livros essenciais.

      Eu lembro da sua resenha e do que você comentou sobre o Clay. Pretendo ler assim que surgir uma oportunidade.

      Abs.

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