Madre Teresa: tudo começou na minha terra #87

“Faz com que eu procure consolar, em vez de ser consolada; que eu procure compreender, em vez de ser compreendida; que eu procure amar, em vez de ser amada. Pois é somente dando que se recebe, somente esquecendo-se de si mesmo; somente perdoando que se é perdoado; somente morrendo que se nasce para a vida eterna.” – Madre Teresa

Status: escrevendo. Li essa biografia da Madre Teresa escrita pela autora italiana Cristina Siccardi por conta do meu novo trabalho, meu novo livro (sobre ele como comentei no post anterior, só posso dizer que costuro tecidos de memórias novamente).

Publicado originalmente em 2009, isso é, doze anos depois da morte de “Anjezë Gonxhe Bojaxhiu”, mais conhecida como Madre Teresa de Calcutá (1910-1997); esse é um livro riquíssimo não só por apresentar essa figura célebre – para alguns polêmica – da história mundial, mas por oferecer ao leitor uma visão do que fora a missão e a influência da Igreja Católica em países como a Albânia paralelo a espoliação material e espiritual perpetrada durante tanto tempo pela ditadura comunista; bem como a atuação da mesma em lugares como a Índia do século XX.

É uma biografia muito bonita e bem escrita. Nela há vários trechos de cartas e outros escritos da Madre Teresa, bem como a citação de outros documentos de fontes primárias, o que dá mais força a narrativa. Para contar a história da Madre, a autora parte como diz o título, da terra, da família onde nasceu Anjezë. Assim, através das páginas da biografia viajamos para Escópia, Macedônia; para a realidade de uma família albanesa em 1910. Segundo Cristina: “A bagagem cultural de [Madre Teresa] já tinha sido preparada na infância, formando-se sob o olhar vigilante de uma mãe que, com uma caridade fora do comum, ajudava a todos, a todos socorria, sem fazer distinção alguma.” De Drane Bernay Bojaxhiu, mãe da madre, ela ainda afirma: “… de origem nobre, foi realmente a Madre Teresa de Escópia e infundiu na filha o imenso amor por Deus e pelos pobres.” Pintando assim, juntamente com a figura forte do pai Kolë Bojaxhiu (que morreu quando a filha ainda era criança), um quadro completo do que fora esse ninho que gerou a chamada por muitos de “mãe dos sofredores”.

Há muito o que me chamou atenção nesse livro fora o que eu tinha vindo buscar. Por exemplo, sobre os episódios de descoberta da Madre Teresa de sua vocação. Sobre isso ela contou ao primo Lorec em 1928 o seguinte: “Tive na minha vida tantos desejos: de dedicar-me à música… Você sabe bem como amo a música, o canto, e o amarei mais ainda cantando louvores ao Senhor. Também amei tanto a literatura, particularmente a poesia: Quem sabe se eu poderei ainda escrevê-las ou lê-las. Eu também gostaria tanto de ser professora, de educar as novas gerações, de me dedicar à escola. Como você vê, provavelmente não poderei realizar todos esses desejos… Mas uma coisa é certa, e isto já basta: sei que o Senhor me chama, me quer bem, me guia na direção da vocação missionária. Essa é agora minha única certeza!” E anos mais tarde, já ordenada em Calcutá/Índia, uma expansão desse entendimento do que seria sua vocação ou sua segunda vocação, o que ela própria chamou de “o chamado dentro do chamado”. Segundo ela Deus a estava chamando para sair do convento de Loreto para servir livremente aos pobres e viver com eles. Assim ela fez, seguindo uma vida de maior privação e sacrifício, bem como de auxílio e serviço aos pobres dentre os mais pobres.

Outro ponto de atenção também, são sua atitude e palavras por ocasião do recebimento do prêmio Nobel da Paz em 1979. Madre Teresa afirmou que aceitava o prêmio exclusivamente em nome dos pobres, e surpreendeu a todos com seu ataque duríssimo à prática do aborto. Segue um trecho de seu discurso: “Sinto que, hoje em dia, o maior destruidor da paz é o aborto, porque é uma guerra direta, um assassinato direto, um homicídio direto pela mão da própria mãe […]. Porque, se uma mãe pode assassinar seu próprio filho, não há mais nada que me impeça de assassinar você, e impeça você de assassinar a mim.”

Esse é um livro que em uma rápida pesquisa no Google e sites como Skoob e Goodreads, não encontrei muitas resenhas e comentários. O que me espantou de alguma forma, ainda que não muito por saber bem da realidade do Brasil quanto a leitura e por entender também que nem todos os leitores estão nessas redes da internet. De qualquer forma, essa é uma leitura que recomendo muito. Antes de mais nada e de pontos de discordância teológica que com certeza tenho em relação a fé católica, entendo que conhecer a história de figuras como a Madre Teresa de Calcutá é muito importante pela provocação da reflexão pelo exemplo – basta entrar em uma livraria e verificar quais biografias estão em destaque hoje em dia para entender o que estou tentando dizer. E sem dúvida uma boa biografia como essa nos dá a chance de conhecer sua vida e obra a partir de seu contexto familiar, histórico e cultural. Sem dúvida a melhor maneira.


+INFO LIVRO: MADRE TERESA: Tudo começou na minha terra | Autora: Cristina Siccardi (1966- ) | Publicado originalmente em 2009 | São Paulo: Paulus, 2016 | 201 páginas

Classificação: 4/5

Compre: Amazon, Estante Virtual

 Instagram | Skoob | Listography  | Twitter | Facebook | Grupo do Telegram

2 comentários em “Madre Teresa: tudo começou na minha terra #87

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s