O gosto das pessoas…

“Acho que não existe explicação para o gosto das pessoas”, disse ela.

“É verdade”, disse Denise. “Mas existe o bom gosto e outros que não são tão bons assim.”

[…]

“É o que todo mundo acha”, disse Enid. “Todo mundo acha que tem mais bom gosto do que os outros.”

“Mas a maioria das pessoas está enganada”, disse Denise.

“Todo mundo tem direito ao seu próprio gosto”, disse Enid. “Todo mundo tem direito a voto nesse país.”

“Infelizmente!”

Do livro: FRANZEN, Jonathan. As Correções. Companhia das Letras, 2011, 586 páginas, anismo Puro e Simples)

Sabe, todo dia eu leio algum texto que fala sobre como a vida das mulheres é dura na sociedade de hoje…

Ele fechou a Bíblia e se recostou em sua cadeira. “Sabe, todo dia eu leio algum texto que fala sobre como a vida das mulheres é dura na sociedade de hoje. Sobre como elas têm que fazer uma porção de escolhas difíceis, sobre todas as responsabilidades que elas têm que assumir com relação a suas famílias. Elas têm que ser mães e têm que trabalhar como homens também, se é para a sociedade liberal funcionar.

“Não são só as mulheres”, disse Renée. “Os homens também têm que mudar.”

“Ah, sim, supostamente é assim que funciona. Só que a gente não ouve falar tanto sobre homens que se queixam e homens que se sentem num beco sem saída, ouve? Os homens ainda têm a possibilidade de escolha, certo? Eles podem se realizar profissionalmente e, se quiserem, podem se realizar como pais. É como se a vida estivesse melhorando para os homens, eles estão tendo opções num sentido positivo, enquanto as mulheres estão tendo todas essas opções extras num sentido negativo. Você não acha que isso é o grande paradoxo da nossa era? Que quanto mais as coisas melhoram para as mulheres no sentido político-liberal, piores as coisas ficam para elas na realidade?”


Do livro: FRANZEN, Jonathan. Tremor (Strong Motion, 1992). Companhia das Letras, 2012, 552 páginas