Resenha livro: Rota de Fuga, a história não contada da SS de Maurício Munhoz

Meu medo é você também estar acreditando que a ditadura e a violência sejam o remédio para uma sociedade doente. Até antes de te encontrar aqui em Roma, eu sabia dos seus serviços a esse grupo político. Mas como você sabe, esse processo de dominação não passa da manipulação da miséria de um povo. No entanto, agora estou vendo, você também está fascinado por esse regime totalitário. Que Deus o faça enxergar a verdade, meu amigo, e o ilumine para escolher o lado certo.

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Não há nada novo debaixo do céu

Perón estava se esforçando ao máximo para seguir os estilos de Mussolini e Hitler em seu governo. Ele era o paladino dos operários e das classes sociais mais baixas, que lhe garantiam o apoio popular. Em contrapartida, o Estado controlava com mão de ferro o movimento sindical e a imprensa, que constantemente tinha alguns dos seus órgãos censurados ou fechados. O governo promoveu perseguições aos opositores, geralmente os colocando na cadeia ou forçando o exílio. No campo econômico, ele aplicou uma política extremamente patriota, nacionalizando as ferrovias e muitos serviços públicos. Ele usou de todos os mecanismos para o Estado intervir a favor da industrialização do país, criando o Banco Industrial, e usando da proteção tarifária para proteger as indústrias argentinas, assim como atrair novas empresas.

Do livro: Rota de Fuga: a história não contada da SS, Maurício Munhoz. Chiado Books, 2015, 240p.

Contra a minha vontade eu me tornei testemunha da mais terrível derrota da razão…

“Contra a minha vontade eu me tornei testemunha da mais terrível derrota da razão e do mais selvagem triunfo da brutalidade dentro da crônica dos tempos; nunca – eu não registro isso de maneira alguma com orgulho, mas sim vergonha – uma geração sofreu tamanho retrocesso moral, vindo de uma tal altura intelectual como a nossa.”

“Pois muitas vezes, quando digo, desatento, ‘minha vida’ sem querer me questiono: ‘Qual vida?’ A de antes da Guerra Mundial, a de antes da Primeira, a de antes da Segunda ou a vida de hoje?”

“Só quem podia encarar o futuro sem preocupações gozava o presente com bons sentimentos.”

“Aquilo que uma pessoa, durante sua infância, absorveu da atmosfera da sua época não pode ser simplesmente descartado.”

“… foi preciso passarem alguns anos até eu compreender que a provação desafia, a perseguição fortalece e o isolamento eleva o indivíduo, se não o destrói. Como todas as coisas essenciais da vida, não se aprende isso com as experiências alheias, e sim, sempre, só com o próprio destino.”

“… uma cidade em que se resolve permanecer é sempre vista de outra forma do que uma cidade a que se chega apenas como visitante.”

“Nunca na minha vida eu sentiria com mais atrocidade a impotência do homem diante dos acontecimentos no mundo.”

“Esqueça!, disse para mim mesmo. Fuja, refugie-se na sua interioridade mais íntima, no seu trabalho, naquilo em que você é apenas o seu eu respirando, onde você não é cidadão, não é objeto desse jogo infernal, onde apenas o pouco de razão que lhe resta ainda pode ser sensato em um mundo enlouquecido.”

“E só quem conheceu claridade e trevas, guerra e paz, ascensão e decadência viveu de fato.”


Do livro: ZWEIG, Stefan. O mundo de ontem. Editora Zahar, 2014, 400p.

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