Resenha livro: Peter Pan de J.M. Barrie

Toda criança se sente assim da primeira vez que é tratada com injustiça. Quando a criança se aproxima de você, querendo se entregar a você, a única coisa que ela pensa que merece é um tratamento justo. Depois que você for injusto com ela, ela vai voltar a amá-lo, mas nunca mais vai voltar a ser a mesma criança. Ninguém nunca se recupera da primeira injustiça; ninguém, exceto Peter. Ele sempre sofria injustiças, mas sempre as esquecia. Acho que essa era a verdadeira diferença entre ele e todos os outros.

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A Terra do Nunca

De todas as ilhas deliciosas que existem, a Terra do Nunca é a mais aconchegante e compacta; não é grande e espalhada, sabe?, com aquelas distâncias chatas entre uma aventura e outra. É bem apertadinha. Quando você brinca nela durante o dia, usando as cadeiras e a toalha da mesa, ela não é nem um pouco assustadora. Mas, nos dois minutos antes de você ir dormir, ela fica quase, quase real. É por isso que a gente deixa uma luzinha acesa no quarto durante a noite.

Do livro: Peter Pan, de J.M. Barrie, 1911. Zahar, 2012, 224p.

Contra a minha vontade eu me tornei testemunha da mais terrível derrota da razão…

“Contra a minha vontade eu me tornei testemunha da mais terrível derrota da razão e do mais selvagem triunfo da brutalidade dentro da crônica dos tempos; nunca – eu não registro isso de maneira alguma com orgulho, mas sim vergonha – uma geração sofreu tamanho retrocesso moral, vindo de uma tal altura intelectual como a nossa.”

“Pois muitas vezes, quando digo, desatento, ‘minha vida’ sem querer me questiono: ‘Qual vida?’ A de antes da Guerra Mundial, a de antes da Primeira, a de antes da Segunda ou a vida de hoje?”

“Só quem podia encarar o futuro sem preocupações gozava o presente com bons sentimentos.”

“Aquilo que uma pessoa, durante sua infância, absorveu da atmosfera da sua época não pode ser simplesmente descartado.”

“… foi preciso passarem alguns anos até eu compreender que a provação desafia, a perseguição fortalece e o isolamento eleva o indivíduo, se não o destrói. Como todas as coisas essenciais da vida, não se aprende isso com as experiências alheias, e sim, sempre, só com o próprio destino.”

“… uma cidade em que se resolve permanecer é sempre vista de outra forma do que uma cidade a que se chega apenas como visitante.”

“Nunca na minha vida eu sentiria com mais atrocidade a impotência do homem diante dos acontecimentos no mundo.”

“Esqueça!, disse para mim mesmo. Fuja, refugie-se na sua interioridade mais íntima, no seu trabalho, naquilo em que você é apenas o seu eu respirando, onde você não é cidadão, não é objeto desse jogo infernal, onde apenas o pouco de razão que lhe resta ainda pode ser sensato em um mundo enlouquecido.”

“E só quem conheceu claridade e trevas, guerra e paz, ascensão e decadência viveu de fato.”


Do livro: ZWEIG, Stefan. O mundo de ontem. Editora Zahar, 2014, 400p.

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